sexta-feira, 9 de julho de 2010

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A memória chutada trás de volta alguém memorável, alguém que, nem que eu quisesse, poderia esquecer. A memória volta, violenta, rascante, tão brusca que me faz cair no ódio, após tanto esforço pra me livrar dele, agora o cansaço me impede de lutar contra isso, porque ela não me ouve? Isso é destrutivo, porque ela não me vê? Isso corrói o coração, porque ela não me sente? Morte tripla, já não sou nada, meu terceiro coração não bate mais e ela não quer mais existir pra mim, ser minha existência.
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Eu queria saber quando e como foi que nossa inimizade começou, algo tão sem sentido quanto meu dia sem ela, um livro picado e lançado ao fogo. Não pensei que fosse tanto. Bom, foda-se o que eu penso. Só coisas fúteis que nunca motivaram ninguém à nada. As notícias correm, se pecham e sempre param nos meus ouvidos, e a maioria delas é a parte do existir que eu preferia não conhecer. Mas um dia isso acaba, definitivamente, na mente, sem escárnio, ao menos uma vez.
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Confusões, de modo ridículo e exagerado me fazem tombar, de novo, em camas de espinhos. Ela já não pode ser minha, porém, serei eternamente seu, mesmo machucado, o infinito sumiu, e eu faço parte dele, me mato logo. As consequências são insuportáveis, torturantes, algo tão profundo quanto um corte no coração por uma espada longa e pesada, pura blasfêmia. Só o que é certo é que em minhas veias já não corre mais sangue, e sim metal líquido. Preciso de uma morte insípida, desta vez, ou não volto mais.

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