Como posso pensar num momento em que vejo meu próprio cérebro sendo derretido pela dor da perda, e não é a primeira vez, sou amigo da miséria. Só mais alguns mil anos e eu encontro outro rumo, provavelmente pior. Até que eu me torne mais avulso que o próprio tempo, não esquecerei tudo que fizemos que me fez queimar em humanismo, me senti vivo.
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Diga o que quer de mim, o porquê de tanta carnificina, tanto escárnio, o porquê de drenar minhas forças sem me deixar viver. Sou como um zumbi, cansado, desanimado, sem motivos pra querer desenterrar-me. Você me castiga como se eu tivesse roubado seu tesouro mais precioso, ao contrário, você roubou o meu, que é você. Seu olhar, agora, é como um chicote que dilacera minha alma, fere meu ego e me rende aos seus delírios, a ilusão me persegue. Então me deite no sol e limpe o sangue do meu rosto.
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Não me abandone, você vive esperando que eu diga algo que mude o mundo mas, quando eu encontro coragem pra dizer, você vira as costas e me destrói. Você nunca deveria ter me olhado pela primeira vez, você nunca deveria ter dito meu nome, apenas me mate e acabe com meu sofrimento, sofro sozinho. Chore sangue e sinta-se igual a mim, se você soubesse o quanto seus atos me consomem, jamais ficaria em silêncio, seu silêncio me derruba.
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