E eu o vi lá, mais uma vez, provando à si mesmo e à mim, que a falsidade é seu eterno e úmido berço. O que faz seu coração agir assim é um mistério até pra ele mesmo, duas vezes no mesmo instante. A falsidade é tão dominante sobre ele, que acaba enganando até à quem o usa pra enganar. Vários sorrisos falsos em falso. Alguém me tire deste lamaçal de desconfiança e ansiedade antes que eu faça parte da lama.
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Vi o medo de novo, ela não para de olhar pra mim, explodo de raiva por dentro enquanto sua indiferença corrói minha visão, ainda não entendo o que fiz de tão errado assim. Nunca traí sua confiança, assim como fez à mim aquele de quem eu nunca esperara algo assim. Nunca ameacei sua integridade moral nem física, e nem nunca lhe dirigi alguma palavra que expusesse a raiva que só agora sinto dela. Apenas desvio de seu olhar peçonhento, para que não me desfaça ainda mais.
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Momento neutro, meus pensamentos e companhias me abandonaram. Vazio, repentinamente opaco. Escuridão. Numa hora só me resta respirar, desconfio de mim mesmo, estou gelado, ela é fria comigo e nem sei o motivo. Que diabos aconteceu enquanto eu estava dormindo? Todos escondem algo de mim, sinto isso no ar. Sua frieza me destrói. Já não me olha mais daquele jeito arrebatador que só ela sabe. Sinto falta de seus olhinhos meigos que serviam como modo de me humanizar. Esse é o único modo de me fazer sentir dor de verdade. Desmoronei, morri de novo.
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