Tomento agudo, olho para todos os lados, procurando qualquer saída, algo que me atire pra fora desse abismo que são meus dias. Meus dias são escuros, pois sua luz já não está mais aqui mais aqui para iluminar meu caminho, meu caminho é cego. Ela é meu dia, meu sol, meu raio, meu remédio, estou febril, doentio, dessa vez, acredito eu, literalmente, calafrios até os dedos, asas pesadas, sem movimento algum, tenho de arrastá-las, são como rochas de culpa sobre meus ombros.
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Culpa faz morrer quem acha que a culpa é a própria, após a morte a culpa aumenta, é como um vírus, dá raiva só de pensar. A culpa pesa mas o sono pesa mais e não deixa forças pra empurrar a culpa pra fora dos olhos. Não posso desmentir o que sei que é imensuravelmente assustador, aquilo que se diz ser minha culpa.
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Só penso no futuro, se será ao seu lado ou se ainda terei que me matar tentando algum feito que me renda o direito de ser seu. Fico imaginando momentos que sangrei de tristeza, o simples ato de pensar que não à verei mais reluzindo e enchendo meu ser de vida, isso esmaga meu crânio como se fosse oco. Acho que estou considerando a distância entre nós como o tempo que tenho pra respirar fundo e começar à correr atrás de uma solução. Mas, se assim for, estou perdido, pois só nela vejo solução, refúgio e luz, ela é meu ar, meu chão, meu céu, a única que brilha no meu espaço. Agora só restou a escuridão e eu.
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