terça-feira, 2 de agosto de 2011

Um sonho...

Então, lá estava eu, parado em pé, com luzes que ofuscavam quase que por completo minha visão, sentindo a alma embaçada como tal.

Num espaço gigante, me via numa plataforma de uma estação de trem qualquer, tudo deserto, silêncio malévolo, irritante sensação de ser o único ser vivo ali presente. Num súbito estrondo o trem chegava e, muito lentamente, parava. Toda a estrutura do lugar me causava um certo desconforto. Isso é grande demais - pensava eu. Foi então que, assim que o trem finalmente descansou por completo e todas as suas portas se abriram, pude vê-la caminhando com certa pressa, porém na plataforma do lado oposto, vindo em direção à porta do trem que, aberta, proporcionava-me um caminho livre para chegar ao outro lado.

Fiquei extasiado e pude ouvir sua voz (nem parecia um sonho) dizendo:

-Depressa, amor!

Estava eu perplexo e pensando no porque de ainda não ter me movido um palmo sequer. E aquela voz tornou à exclamar, seus olhos miravam fixos aos meus:

-Alan! O que está esperando?

Como que num piscar de olhos eu já havia atravessado o caminho em meio ao trem e chagado ao outro lado. Ela olhou para mim e se atirou em meus braços e isso me trouxe um adormecido ar de satisfação. Só de imaginá-la ali, tão perto quanto possível, sua pele branquinha agora era rosada, pelo tom de alegria que esboçava ao poder tocar-me. Seu abraço era vigoroso, como que dissesse "nunca mais te soltarei", aumentando minha satisfação e excitando à nós dois, e ao mesmo tempo.

Eu podia sentir seu cheiro, revelava sua identidade me fazendo ter certeza de que aquela realmente era a minha amada. Num movimento delicado e um tanto sutil, repousou sua cabeça em meu peito e sorriu de contentamento, afastou-se um pouco mas ainda mirando meus olhos. Puxei-a pela cintura e beijei-lhe os lábios, doces e carnudos, simplesmente irresistível aquela ação. Permitiu-se então empoleirar-se novamente eu meu peito.

Pousei minha mão sobre sua nuca, firmando ainda mais seu corpo junto ao meu. Ergui os olhos ao céu, o tempo fechava e só eu sabia o perigo que estava por vir, porém, em momento algum, me deixei alertá-la sobre isso, não estragaria aquele momento por nada. Ainda encarando as nuvens negras, gritei em pensamento, ordenando-me que cumprisse a promessa que fiz ao meu amor de que à protegeria de tudo, custasse o que custasse.

Abracei-a mais forte, indicando um certo medo que já não podia esconder, mas ela entendia, ela sempre entendeu. Fechei os olhos e deitei meu rosto sobre sua cabeça. Minha pequena... - pensei. Sentimos juntos um vendo alucinado que cortava as paredes, e a estação de trem já não era nossa localidade. Abri os olhos mantendo a certeza de que ela não fazia o mesmo, não queria deixá-la sentir medo, seria angustiante.

Um campo aberto, um valo imenso, era um mar verde sem sequer uma única colina visível. Era um deserto vivo e assombrosamente dimensionado. No céu, escuro como a própria treva, moviam-se as nuvens como deuses em suas carruagens cinzas. Embora nada houvesse acontecido além de um zumbido apavorante que o vento fazia ao pentear a grama alta. Em transe, ao contrário de como se estivesse normalmente, eu podia avistar raios chocando-se ao longe e batendo no chão ao nosso redor como chicotes luminosos. Tornados e furacões nos rodeavam, como planetas ao redor do sol, isso só fez aumentar minha perspectiva com relação a nossa união.

Era um combate entre uma fúria invisível e eu. Porém, minha fonte de energia e vontade estava bem ali, em meus braços, necessitando meu calor. Quando pensei nisso, saí do transe, fechei os olhos novamente ao ser irradiado por um brilho intenso, uma luz que vinha de baixo do meu queixo. Eram os olhos dela que iluminavam aquele cenário macabro. Nem mesmo pensei em sair de seu abraço vital.

Através das pálpebras pude notar a luz se esvaindo, perdendo cintilância, permitindo que eu abrisse os olhos e me deparasse com ela, à minha frente, chorando e dizendo:

-Me proteja, amor, estou com medo!

Enxuguei a única lágrima que rolou em seu lindo rosto com um beijo e a abracei firmemente, afirmando que a tormenta havia acabado.

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