segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nada

Assim como o oceano, eu fui pacífico nas horas lamentáveis e árduo nas horas mais inconvenientes. Decidi tomar liberdade, sentir que, mesmo sem qualquer aerodinâmica, eu podia voar. Em meio a maior tormenta pela qual já deixei rastros de desespero eu me vi um ser oculto. Meus olhos eram vermelhos, minha pele era pálida e gélida, meu cabelo era uma chama intensa, minhas mãos banhadas pelo sangue de cada inocente cuja vida se esvaiu por entre seus dedos por minha causa. Um choro cálido, lágrimas esgotando-se, um dia essa ira que sinto por mim mesmo verá seu fim.

\m/

Levanto-me novamente, olho em frente e sinto a eternidade buscando-me. O que ela quer de mim? Minha vida já não vale tanto quanto ela supõe. Cortando montanhas, movendo cascatas, girando mundos... Por aí vai meu maior valor. Cansado de esperar pela chuva, corri até o monte mais alto e de lá me arremessei, uma tentativa em vão. Antes que pudesse ver o ponto final daquele diálogo entre mim e a morte, ela própria não permitiu que eu me visse nu perante a vida. Eu quis morrer, apenas morrer, será tão difícil assim?

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Atraído por uma doença chamada amor, fui cego ao prato, nunca soube ao certo se o que estava fazendo era correto ou não, mas pouco importava pois, após tanto sofrer por estar doente, havia desistido de viver sem ao menos esperar por encarar desapontamentos. Escolhi viver perigosamente, um tanto quanto abrupto. Mas o que vale é que, de toda a experiência que adquiri, noventa por cento foi totalmente novo. Explorei lugares novos, pensamentos diferentes e até iguais aos meus, me dando a oportunidade de recriar meu mundo, Assombrósia. Eu quis, eu fiz, busquei, chorei, perdi mais do que poderia ou deveria, mas vivo e não me arrependo de nada... Nada...

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