Há algum tempo passei a viver um outro pesadelo, oito meses após ter escapado do anterior, mas não sozinho. Aqueles olhos me diziam que tudo que eu precisava para ser feliz estava por trás deles, estava na dona deles, os olhos mais lindos que eu já encarei, o sorriso mais lindo o qual tanto me fez suspirar. Ainda faz, basta lembrar. O cheiro mais doce... O toque mais suave... A pele mais delicada... A forma mais atraente... A saudade mais cruel...
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Seguro seus passos comigo, mesmo em guerra, como motivo de ainda correr atrás. Aquela pressão na nuca, um sinal. Estive relembrando de nossos segredos, porém poucas vezes, somente vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, quatro semanas por mês, infinitos meses esses desde que você se foi. Continuo a pensar que, tudo o que faço ou deixo de fazer, trará até mim suas opiniões e críticas, elogios e gozos. Não estive me importando com razões e ações alheias pois, para mim, você nunca foi alheia, sempre foi parte de mim, e sempre será. Como um refúgio me protegendo das tempestades que eu mesmo provoco.
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Naquele rio de lágrimas, o qual alimento toda vez que vejo uma foto sua, ou escuto nossa música, deixei meus pertences, meu orgulho, minha alegria, minha esperança, meus problemas, minha tolerância, minha cultura, minha liberdade, minha mente, minha importância, meus dias escuros, minha alma... Um desvio no olhar é o suficiente para me fazer lembrar que não devo, não preciso, nem quero, pensar em nada além de você, de nós, são as melhores lembranças da minha vida, os melhores contos, o melhor encontro, o melhor acorde, o melhor contentamento, e sem contestamento. Minhas digressões sempre me levam até você.
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Nem aquela chuva pôde lavar nossas vontades, nem minhas vontades agora podem varrer meus sentimentos, muito menos as lágrimas que rolam enquanto escrevo isto. Queria ouvir sua voz, o meu remédio. Queria ler seus lábios, suas palavras escritas pelo coração.
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Permaneço fora da realidade, não que isso seja ruim, é como um refúgio alternativo, é como um solo de guitarra, é como ouvir você dizendo que me ama e suspirando ao mesmo tempo. É como te abraçar, proteger o que (é)¹ meu. É como reviver tantas vezes quanto eu gostaria que fosse e acordar deitado em seu colo, com sua mão no meu peito, e a sua boca na minha. Mas a escuridão toma conta outra vez, sem você não tem como eu ser forte o suficiente para desfazê-la, um fato que você me mostrou.
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Há três noites, nomeei um estrela com o seu nome. Incrível como é sempre a mesma a primeira a aparecer ao anoitecer, assim como você é meu primeiro pensamento ao acordar, ao abrir os olhos, ao levantar, ao ver a luz, ao sentir a brisa suave do amanhecer, ao caminhar e me encontrar sozinho, ao passar o dia todo, ao ver o luar imaginando que você também esteja, ao ver a primeira estrela, você. Mil palavras continuam sendo insuficientes para definir o quanto eu te amo... Eu te amo... Ariadne, eu te amo... Eu te amo.
(¹) Gostaria que fosse.
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